terça-feira, 2 de junho de 2015

Anatomia do Trapézio Superior

Outra peça sobre anatomia da ótima Kathy Dooley, quiroprata, anatomista, instrutora da Neurokinetic Therapy, ou como traduzimos no Brasil: Terapia Neurocinética.
Por ter extensa experiência em dissecação, Kathy escreve muitos artigos sobre relações anatômicas em seu site: drdooleynoted.com.
No site da Fortius, há outro artigo traduzido desta série: Conexões do Psoas.

Aos que quiserem ler o original em inglês: Anatomy Angel: Upper Trapezius.

Boa leitura aos amigos.

Anatomia do Trapézio Superior
Kathy Dooley



O trapézio é um músculo fascinante que assiste no movimento e estabilidade espinhal, assim como no movimento do ombro.

Este músculo leva seu nome em virtude da sua aparência trapezoide. Ele se origina no crânio, estendendo seu comprimento até a última vértebra torácica (meio das costas).
Ele se direciona lateralmente para inserir na parte espinhosa posterior da escápula e na parte pontuda, o acrômio, assim como na clavícula.

Este músculo é considerado um músculo dos membros que move o ombro e o pescoço, com pouca habilidade de mover o meio das costas. Através de suas conexões fasciais, ele com certeza estabiliza o movimento espinhal, primariamente no plano sagital.
Este músculo é um potente extensor.
O trapézio é o único músculo dos membros inervado pelo nervo cranial - mas não é inervado pelo tronco cerebral.

O ramo ventral (nervos motores e sensoriais) vindo da 1ª a 5ª vértebras cervicais, sai da espinha e toma um rumo ascendente para entrar no crânio, apenas para sair do crânio e atingir as placas motoras (N.T: Placa motora é a junção da extremidade de um ramo do axônio, com a célula muscular). Que é onde estes ramos inervam o trapézio e o esternocleidomastóideo.
Então, o trapézio é inervado pela parte superior do pescoço. Compressão articular de baixo nível nesta área, leva a uma facilitação aumentada das fibras superiores do músculo.

Nós adquirimos esta curva do pescoço quando começamos a tentar sustentar a cabeça para cima após nascermos. 

Muitos de nós ainda estão usando o pescoço para dominar o movimento.
Sustentar a cabeça foi uma de nossas primeiras grandes conquistas. Somos programados para buscar estabilidade e movimento ali.


O trapézio superior tem a função de elevação e rotação superior da escápula, assim como flexão lateral e extensão cervical. Basta imaginar um encolhimento de ombros para ver a ação do trapézio superior.

Este músculo está em uma relação de força com o trapézio inferior e serrátil anterior para a poderosa ação de rotação superior da escápula.

Mas quando há compressão do pescoço ou o trapézio superior está trabalhando demais (N.T: Do termo em inglês "overused"), esta azeitada relação de forças é perturbada. Uma vez que o trapézio insere na clavícula e no acrômio, ele acaba influenciando no movimento da articulação acromioclavicular. Esta articulação permite movimentos acima da cabeça.

Então, o mesmo músculo que facilita movimentos acima da cabeça, pode na realidade impedi-los quando está sobrecarregado. Se é permitido ao trapézio superior ser dominante nos movimentos, a biomecânica do ombro é alterada significativamente. Instabilidade do ombro irá se seguir logo.

Então, a maior parte dos problemas do ombro se inicia como problemas do pescoço. Lembre-se: É o trapézio superior que se insere no pescoço e no crânio. Se você está focado na mecânica do ombro sem levar em consideração o pescoço, você está perdendo informações importantes.

Avalie o pescoço.

Então, avalie o sistema de forças do trapézio superior/trapézio inferior com o serrátil anterior. Inicie aqui, depois parta para outros motores primários do ombro, como o peitoral maior e grande dorsal. Sem esquecer dos estabilizadores, como os músculos do grupo manguito rotador (N.T: Supraespinhoso, infraespinhoso, redondo menor e subescapular).

Mas não pule o pescoço e a coluna. Na verdade eu encorajo as pessoas a começarem a investigar ali. Se seu cliente ficar inquieto do porque você não estar avaliando o "ombro", explique a parte anatômica do trapézio superior e suas inserções, assim como a inervação que vem do pescoço.


Como sempre, é com você.

4 comentários:

  1. Muito bom, Marcus.
    Acredito que aí está o meu "problema" no ombro.
    Abraço!

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    1. Combina com o Xandão para ele dar uma avaliada velho, o "homi" está voando.

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  2. marcio bendasoli7 de julho de 2016 22:15

    Parabéns Marquinhos , mais um excelente post que vai entrar para coleção . Oportuno e muito bem alicerçado por suas imagens e construção do pensamento. Abraço

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