terça-feira, 24 de março de 2015

Notas Sobre Anatomia Funcional - Final

Finalizando a série de anatomia funcional com mais alguns músculos para levarmos em consideração, o material (A série de DVDs: "Building the Efficient Athlete do Mike Robertson e Eric Cressey") é bem mais amplo, não se limitando somente a estes músculos que inseri e não fala só de anatomia.
Recomendo que vejam os dvds que são bem interessantes. 


Aos que não leram as 4 primeiras partes, aí vão os links:
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 1
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 2
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 3
Notas Sobre Anatomia Funcional - Parte 4

Boa leitura aos amigos!


Notas Sobre Anatomia Funcional - Final 
Marcus Lima


Infraespinhoso e Redondo menor.
Infraespinhoso:
Funções Primárias: Rotação externa do úmero, estabilização da articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”), depressão da cabeça umeral. 

Implicações:
- Fracos/alongados devido à postura.

 Quantas pessoas fazem rotações externas nos seus programas de treinamento, a fim de “fortalecer” o manguito rotador? Rotações externas (feitas geralmente com resistência elástica ou com cabos) são importantes e têm seu espaço, o que poucos prestam atenção, é o que acontece com a cabeça do úmero.
→ Muitas vezes, o que ocorre é uma anteriorização da cabeça umeral (O que Shirley Sahrman chama de Síndrome do Deslizamento Anterior: “Anterior Glide Syndrome” em seu ótimo livro – Diagnosis and Treatment of Movement Impairment Syndromes).








                                                                   





Flexores profundos do pescoço:

Músculos específicos: Longo da cabeça, longo do pescoço.

Função Primária: Flexão da coluna cervical, rotação e flexão ipsilateral.

Implicações:
- Frequentemente inibidos pelo esternocleidomastoideo e subocipitais. Lembrar da postura com a cabeça projetada a frente.

- Inibição leva ao comprometimento do movimento de flexão do pescoço (Muitas vezes levando a uma dominância do esternocleidomastoideo).

- Podemos usar o exercício de ativação dos flexores profundos do pescoço (caso se constate que estão de fato inibidos) apoiando a cabeça contra a parede (Como na figura ao lado). A dica verbal pode ser: "Faça um queixo duplo" (dica de foco interno) ou "Tente empurrar a parede (não com muita força) com o pescoço" (dica de foco externo).



OBS: Sobre dicas verbais internas x externas, traduzi um artigo interessante a respeito tempos atrás: Ciência e Aplicação de Dicas Verbais - Parte 1; Ciência e Aplicação de Dicas Verbais - Parte 2.




Serrátil anterior:
Função Primária: Manter a escápula firme contra o gradil costal, protração (abdução) e rotação superior da escápula.

Implicações:
- Frequentemente inibido em seguida a um trauma (É o vasto medial oblíquo da parte superior do corpo). Também pode sofrer inibição em virtude de má postura prolongada.

- Disfunção leva a uma escápula alada e falta de rotação superior.

- O que a falta de rotação superior da escápula causa?  = Impacto no ombro.

- Lembrar também que a torácica invariavelmente estará envolvida nos casos de impacto no ombro.

- Há uma continuidade de tecido fascial entre o serrátil anterior e os rombóides, são parte do que Thomas Myers chama de linha espiral, dentro de sua visão de continuidades miofasciais, chamada de Trilhos Anatômicos (agora já bastante conhecida aqui no Brasil). Ele os chama de "romboserrátil", quase como se fossem um único músculo, embora como vemos aqui na descrição das funções destes 2 músculos, eles tenham funções antagônicas em relação a escápula. Quase como se estivessem em um cabo de guerra (como podemos ver nas imagens abaixo, retiradas do livro: Trilhos Anatômicos).



















Rombóides:
Função Primária: Retração, elevação, rotação inferior da escápula.

Implicações:
- Podem se encontrar rígidos/encurtados 

- Ajuda a equilibrar o padrão de movimento de empurrar na horizontal (Como ao fazer um supino ou outro exercício de empurrar, lembrar do cabo de guerra com o serrátil anterior).

- Pode estar inibindo o trapézio médio e inferior.

- Síndrome da rotação inferior da escápula (Ombros caídos).




Grande dorsal:
Função Primária: Extensão, adução horizontal e rotação interna do ombro, depressão da escápula.

Implicações:
- Rígido/sobrecarregado em virtude de treinamento e postura.
Obs: Embora eles se posicionem dessa forma no material, tenho visto MUITO frequentemente o músculo grande dorsal inibido ao realizar o teste da Terapia Neurocinética (Informações sobre a Terapia Neurocinética no site da Fortius ou na página do facebook) para o grande dorsal. É uma área incerta, portanto.

- Grande dorsal e peitoral são realmente antagonistas? Sim em algumas funções, mas não em todas, assim como muitos outros pares de músculos (Antagonistas na flexão do ombro, sinérgicos na rotação interna e adução horizontal, para ficar só em funções de cadeia cinética aberta).

- Ligação miofascial com o glúteo contralateral, através da fáscia toracolombar. Fazendo com que essa conexão seja uma importante transmissora de forças. Chuck Wolf chama isso de Fator X Posterior (Saiba mais no artigo: Anatomia Funcional - Grande Dorsal, publicado no blog da Empresa Fortius de Porto Alegre) 






Teste de Comprimento para o grande dorsal:
- Coluna lombar flexionada (plana contra o solo ou uma maca).
- Joelhos flexionados.
- O individuo com os braços acima da cabeça, consegue tocar no solo?



Subescapular:
Função Primária: Rotação interna do úmero, estabiliza a articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”), depressão da cabeça umeral, puxa a cabeça umeral posteriormente (contrabalança a força exercida pelo peitoral maior, que puxa a cabeça do úmero anteriormente).

Implicações:
- Fraco/alongado ou rígido/sobrecarregado devido à postura (Fraco/alongado devido a cabeça do úmero estar anteriorizada ou rígido/sobrecarregado pelo ombro estar em rotação interna. Pode cair nas 2 categorias).

- Síndrome do deslizamento anterior do úmero. O subescapular deveria auxiliar em conter esse deslizamento anterior, junto com o deltóide posterior.

- A cabeça umeral desliza anteriormente acompanhada de rotação interna? Mesma ideia exposta anteriormente, peitoral maior e subescapular participam da rotação interna do ombro, mas o subescapular ajuda a conter o deslizamento anterior causado pelo peitoral, se ele não funciona e o peitoral é predominante, problemas podem aparecer, como impacto anterior por exemplo.




Supraespinhoso:
Função Primária: Primeiros 15º de abdução do úmero, estabiliza a articulação glenoumeral (parte do grupo “manguito rotador”).

Implicações:
- Músculo que mais se lesiona do grupo do manguito rotador (A imagem abaixo, mostra facilmente porque). Existe pouco espaço de onde o tendão do músculo está e o acrômio, esse espaço (chamado de espaço subacromial) é muito estreito. Qualquer problema na escápula, torácica, falta de ativação apropriada nos músculos da região (ou 1 ou mais desses problemas juntos), pode fazer com que haja impacto sobre o supraespinhoso.






Bíceps braquial:
Função Primária: Flexão do cotovelo, supinação do antebraço, flexão e adução horizontal do ombro (somente a cabeça longa do bíceps), estabilização anterior da cabeça do úmero.

Implicações:
- Impacto, tendinoses (Assim como ocorre com o supraespinhoso, o tendão da cabeça longa do bíceps também pode sofrer as mesmas consequências, por estar situado na mesma área).

- Lesões no lábrum (O "menisco" do ombro, ajuda a aumentar a superfície de contato entre a fossa glenóide e a cabeça do úmero, aprofundando a concavidade da fossa). Como a cabeça longa do bíceps se origina como uma extensão parcial do lábrum, problemas no tendão da cabeça longa, irão afetá-lo. 

- Inclinação anterior da escápula. A cabeça curta do bíceps braquial, se insere no processo coracóide (Assim como o peitoral menor, quase sempre culpado pela inclinação anterior excessiva da escápula, e o coracobraquial) então, muitas vezes, a cabeça curta do bíceps tem participação na anteriorização excessiva  da escápula.


Análise estática da inclinação anterior da escápula: Os músculos do processo coracóide (Coracobraquial, cabeça curta do bíceps braquial e peitoral menor).

- Deitado, braços ao longo do corpo com as palmas das mãos para cima. A partir dessa posição, se analisa se um ou os dois ombros se eleva(m) do solo (Observar também se existe alguma assimetria entre os lados). 

Modificadores:
Se existe essa elevação do ombro do chão (causada pela inclinação anterior da escápula), podemos introduzir algumas modificações para tentar achar o culpado:
- Fazendo uma flexão do cotovelo: Coloca o bíceps braquial em uma posição “folgada”, se eliminar a anteriorização da escápula, sabemos que o bíceps é culpado.

- Flexão do cotovelo + ligeira flexão do ombro: Coloca o coracobraquial em uma posição “folgada”, se eliminar a anteriorização da escápula, sabemos que o coracobraquial é culpado.


- O que sobra? Peitoral menor. Se ao fazer as 2 modificações a posição do complexo não se alterar, sabemos que o culpado é o peitoral menor.

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