sábado, 16 de outubro de 2010

Usando o FMS com Equipes

Já que nas próximas semanas vou falar sobre o assunto, vou começar a publicar uma série em 3 partes em que Coach Boyle fala sobre a implementação do Functional Movement Screen (em bom português acho que seria algo como: Análise de Movimento Funcional) em ambientes de equipe. Este artigo foi incluso no seu último livro: Advances in Functional Training


Usando o FMS com Equipes.
Mike Boyle


Para aqueles que não estão familiarizados, o Functional Movement Screen é um sistema simples para analizar o potencial de lesão para atletas e não atletas. A análise foi desenvolvida por Gray Cook e Lee Burton. Para aprender mais sobre a avaliação em si você pode visitar o site: www.functionalmovement.com. Se você não está familiarizado com o FMS, vá ao site e leia à respeito antes de continuar a ler este artigo.

Se você está familiarizado, o propósito deste artigo é olhar para o FMS em um cenário de equipes. A questão mais comum que eu escuto em relação ao Functional Movement Screen é “você usa o FMS com suas equipes?” A resposta é sim, mas provávelmente não da maneira como você pensa. A próxima questão é “como?” O propósito deste artigo é responder como e esperançosamente, por que. Para entender porque nós usamos o FMS comecemos com o porquê de eu gostar de Gray Cook.

No mais simples dos pontos de vista, eu gosto de Gray Cook porque ele me ajuda a alcançar meus objetivos. Eu quero tornar meus atletas melhores e as idéias de Gray Cook me ajudam a fazer isso. Eu não tenho interesse financeiro nos negócios de Gray. A despeito disso eu possivelmente sou um de seus maiores defensores e melhores vendedores. Este processo todo é a respeito de resultados e de “melhores práticas”.
Como posso conseguir os melhores resultados para meus atletas? Se meus atletas alcançam os objetivos, se minhas equipes vencem, então tudo está certo no meu mundo.

Eu e minha equipe temos usado o FMS com atletas suficientes para ver tendências em uma ampla variedade de esportes. No hóquei o padrão de flexão de quadril testado no hurdle step (N.T: Algo como passo sobre a barreira em português. É um dos 7 movimentos do fms) tende a ser nosso problema mais significativo. Como resultado nós projetamos muitos dos nossos exercícios de aquecimento e trabalho de pré-reabilitação (N.T: ou habilitação, acho que seria um termo melhor empregado) para ser feito após o padrão de flexão do quadril. O conselho de Gray Cook para um indíviduo é simples: Ataque o padrão que está pior. Em um cenário de trabalho com equipes nós fazemos a mesma coisa.
Hurdle Step



Outro padrão fraco em meus jogadores de hóquei foi a estabilidade rotacional (N.T: Padrão analisado com o teste chamado rotary stability.). Isso significava que tínhamos de melhorar o nosso trabalho de core. O processo é simples. Avalie sua equipe, olhe para os resultados, trabalhe nos padrões problemáticos. Além disso, nós fazemos o fms em cada atleta lesionado que chega às nossas instalações e em todos os nossos clientes de treinamento personalizado. Rotary Stability



Que Programa é esse?

Uma questão que causa preocupação aos preparadores físicos é a perda do controle do programa. Lembre-se, isto nunca vai acontecer a menos que você deixe. É o seu programa. Eu não executo o programa de Gray Cook e nem você precisa fazê-lo. Eu não concordo com Gray em tudo. Na verdade, nós usamos muito poucas estratégias corretivas dele em função de nossa logística de trabalho. No entanto, isso não significa que eu não possa usar a avaliação ou a informação obtida dela para me ajudar a melhorar meu programa de treinamento. A verdade é, quanto mais eu entendo mais eu integro.
A questão é: Gray Cook e o Functional Movement Screen tem a habilidade de nos fazer melhores em nossa profissão e nos ajuda a melhorar nossos atletas? Em minha opinião, eles fazem. As coisas que aprendi com Gray tem sido inestimáveis em minha evolução como preparador.

Preparadores físicos da NFL (N.T: National Football League) como Jon Torine e Jeff Fish tem desenvolvido estratégias corretivas para grupos das quais eles gostam. Eu também, mas geralmente tenho usado meus exercícios corretivos favoritos como um aquecimento geral para minhas equipes. Eu acho que na há mal nenhum em um atleta fazer exercícios corretivos adicionais, mesmo que não se aplique a ele.

Uma solução que Gray tem defendido é o uso do Turkish Getup ou partes dele como uma estratégia corretiva para grupos.
video
Turkish Getup (com kettlebell de 28kg)

Se você analizar o exercício verá: estabilidade escapular, estabilidade do core, mobilidade do quadril assim como padrões unilaterais de membros inferiores. Gray percebeu que equipes esportivas, militares e outros grupos que procuravam usar o FMS sentiam-se limitados por algumas de suas sugestões de correção. Sua solução foi “Kettlebells from the Ground Up” (N.T: Dvd sem lançamento no Brasil) um projeto chamado Kalos Shenos (palavras gregas que formam a nossa palavra calistenia). O projeto consiste em 2 dvds e um manual que analisa os movimentos por trás do Kettlebell Get Up ou Turkish Getup.


O exercício completo envolve 14 movimentos de baixo para cima. Isto tem uma alta demanda neural e desafia a mobilidade e estabilidade articular. No manual, cada passo tem sugestões corretivas. O getup tem um componente direita-esquerda, que tem o papel de expor as assimetrias, o que é um componente fundamental do FMS. Além disso, cada parte do getup usa um ou dois padrões do FMS. O preparador físico familiarizado com o FMS verá muitas opções para exercícios corretivos e de aquecimento com este programa. Três a cinco getups para cada lado pode ser uma excelente combinação de exercício de aquecimento / exercício corretivo. Se um getup completo não é possível para um atleta, faça o atleta realizar 3 circuitos dos exercícios corretivos sugeridos para a parte problemática do getup. Cook declara: “Se você não fizer nada sugerido pelo FMS e deixar o getup apanhar o problema e trabalhar na parte que mais lhe dificultar no getup você testemunhará uma grande melhoria no escore do FMS”.


Uma ferramenta de Avaliação ou uma ferramenta de Vendas?

Eu frequentemente me pergunto se o Functional Movement Screen é uma ferramenta de avaliação ou uma ferramenta de vendas. Penso que precisamos parar de pensar no FMS como uma análise e começar a pensar nele como a melhor ferramenta que você pode ter para vender seu programa de treinamento para seus atletas.

O FMS pode não mudar o que você faz, mas ele mudará como seus jogadores percebem o que você faz. Na verdade descobri que os resultados do FMS geralmente reforçam os conceitos de planejamento de um bom programa. Por que o FMS reforça os conceitos de planejamento de um bom programa? Porque achamos que um programa bem planejado rende boas pontuações no teste.

Em nossas instalações de treinamento (Mike Boyle Strength and Conditioning) fomos um dos primeiros grupos a usar o Functional Movement Screen. Gray veio até Boston e nos ensinou a avaliação em 2002. Percebemos uma coisa muito significativa. Nossos treinadores tinham escores muito altos. Não surpreendentemente, nossos treinadores na época eram todos ex-atletas nossos, que haviam passado anos em nossos programas de treino. O que significou para nós, é que estávamos no caminho certo. Um programa de exercícios funcionais, com muito trabalho unilateral de membros inferiores e muito trabalho no core produziram escores excelentes no FMS. Quando iniciamos a analizar grupos de atletas “normais”, que faziam um monte de exercícios bilaterais convencionais para membros inferiores e um monte de exercícios em máquinas. Os resultados eram o oposto. Disfunções por todos os lados. O resultado? Os escores de nossos treinadores reforçaram suas crenças no programa que eles acreditavam produzir resultados superiores. Além disso, a pontuação e a óbvia inabilidade demonstrada por nossos clientes, reforçaram o que estava faltando em seus programas de treinamento.

Quantos de vocês já tentaram fazer o teste de estabilidade rotacional (N.T: rotary stability.)? Digam-me o quão fácil é vender o treinamento do core para um atleta após ele ter falhado no teste. Uma vez, tive um atleta profissional que me disse que o teste era impossível. Tive que fazê-lo com êxito 3 vezes na frente dele para que ele acreditasse que podia ser feito. Este cara não conseguia nem ficar equilibrado na posição, muito menos se mover, ainda que fosse jogador profissional de futebol americano da NFL.

7 comentários:

  1. Fala mestre! ótimo artigo... como está o FMS no esporte profissional do brasil? sei que o pessoal do sudeste já está utilizando em academias...
    É possível avaliarmos um aluno ou cliente mesmo sem a logistica "gringa" (materiais oficiais) porém com fidedignidade?

    abraço e parabéns !!

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  2. Fala Zadro.
    Bem quanto ao panorama de utilização nacional, não sei te informar. Sei que no Rio de Janeiro o Prof Alexandre Franco usa com seus atletas (tanto em seu studio quanto com os atletas olímpicos do CR Flamengo com os quais ele trabalha). Em São Paulo sei que um conhecido meu usa com os atletas do Coríntians. Mas provávelmente existem muitos outros profissionais utilizando Brasil afora. Vi também o pessoal do Bayern de Munique usando (um dos preparadores físicos é brasileiro). Também temos visto algumas deformações na utilização (vc testemunhou uma lembra?).
    Quanto à sua pergunta de implementar em seus clientes sem o material importado, é lógico que dá. Com materiais bem simples vc faz a análise bem rápido, desde que se saiba o que se está fazendo.
    Abraço.

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  3. Mestre, muito bom mesmo o Turkish. Mostra a tua busca: integrar sistemas musculares e articulars. abço
    Rodrigo

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  4. Parabéns mto boa a abordagem do artigo, continue a divulgar, pois somente assim poderemos crescer... e pensar no que falamos!!

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  5. Ótima materia! Tenho esses dois DVD´s e são ótimos, o que é muito bom tambem é o CK-FMS Workshop mas é uma paulada 15 DVDs sai por +- 1000 reais as vale a pena pra que não pode assistir um workshop do Gray Cook

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  6. Giuliano, também ando louco pra comprar esses dvds, porém ainda não desisti de tentar achar na net. Porque o preço é meio salgado mesmo.

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