quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Drives Neurais - Parte 1

Artigo escrito em parceria com o fisioterapeuta Gustavo Mesquita, de Minas Gerais, que foi quem me apresentou ao tema dos Drives Neurais.

Originalmente esse artigo não era dividido em 2 partes, nesta adaptação para o blog preferi dividi-lo ao meio para facilitar a leitura, além de acrescentar umas poucas informações a mais.

Aos que quiserem receber o pdf do artigo original, podem acessá-lo nessa landing page: Artigo Drives Neurais.

O Instituto Fortius também tem um Workshop do Gustavo Mesquita falando sobre os Drives Neurais, aqui vai o link para poderem assistir à primeira parte free: Workshop Fortius Drives Neurais.   

Boa leitura aos amigos.
 

   


O que são Drives Neurais?

Gustavo Mesquita e Marcus Lima




- Todos sabemos que o cérebro humano é como um computador, com milhares de programas rodando simultaneamente de uma maneira altamente complexa.

- Mas será que existe uma maneira de editar um programa motor defeituoso?

- Substituindo o programa defeituoso por um novo que rode de maneira eficiente?



Essas são algumas das questões que tentaremos responder neste artigo...


Os Drives Neurais podem ser entendidos como uma perspectiva da neurociência sobre o movimento humano, uma reunião de ideias: 

- Opiniões de experts
- Livros
- Artigos



Sendo assim o conceito não é fechado, sempre permitindo a entrada de novas informações com o objetivo final de explicar os fenômenos que ocorrem na prática profissional, seja ela clínica ou num ambiente de treinamento físico.

“Em última instância podemos dizer que o uso do conceito de Drives Neurais é uma maneira de simplificar o raciocínio em fenômenos relacionados ao Controle Motor, sempre em busca de otimizar os resultados”.






DESCRIÇÃO DE PALAVRAS

O que é drive – Entrada, unidade ou local de armazenamento de dados, geralmente representado por uma letra no Windows. Por exemplo, o drive C, o drive A, etc.











Ainda pode se referir ao dispositivo físico associado à unidade de armazenamento, drive do leitor de CD/DVD, onde você insere o disco.



Em relação ao movimento humano, o principal exemplo são os captores posturais (Ex: Olhos, ouvido interno) geradores de entradas de informações relacionadas ao ambiente externo e os proprioceptores (Ex: Fuso muscular, órgão tendinoso de golgi), geradores de informação em relação ao ambiente interno (Entrada de informações = “Inputs” na língua inglesa)

Portanto, ao usarmos técnicas e ferramentas que influenciem e/ou modifiquem estas entradas de informações, estaremos em última instância "conversando com o cérebro", tendo uma maior probabilidade de sermos bem-sucedidos nas correções que fazemos nos clientes/pacientes/atletas.
 
 
Fuso Muscular e Órgão Tendinoso de Golgi



 

 

O que é driverDrivers são arquivos responsáveis pelo funcionamento de um determinado dispositivo. A função do driver de um dispositivo é aceitar requerimentos do software (do programa que está para ser rodado) e cuidar para que a solicitação seja executada, permitindo que o software interaja com o dispositivo, ou seja, o driver permite que os dois conversem:


Dispositivo Programa



Um exemplo é acionar um determinado grupo muscular em reação ao estímulo visual de chutar uma bola. O jogador de futebol não pensa em como vai executar as ações, apenas executa, recorrendo às suas experiências prévias e programas motores reforçados através do aprendizado e treinamento contínuo. Essa prática especializada constante acaba reforçando os engramas motores que são acionados de maneira automática a partir da entrada da informação visual, isto é, quando o jogador visualiza a bola.


Então, podemos afirmar que sem o Driver nenhum Hardware poderá funcionar, pois sem ele, não haveria comunicação entre os equipamentos.






DRIVES NO MUNDO CANINO

Como colocado antes, um Drive pode ser entendido como um local de armazenamento de um programa (uma série de comandos que desencadeiam uma ação), no caso tratado neste artigo, uma série de comandos que desencadeiam uma ação motora (Drives Neurais Motores). Os cães, por exemplo, vêm de fábrica com uma série de comandos armazenados (drives) que determinam seu comportamento em diversas situações:


Drive de caça:

É o impulso de perseguir objetos em movimento e agarrá-los, muitas vezes sacudindo-os com a boca em um típico movimento para “matar a presa”. Filhotes já mostram este comportamento quando perseguem uma bola ou brincam de cabo de guerra com um pano. 


Drive de defesa:

É o impulso que gera atitude agressiva, de autoproteção, contra uma ameaça ou perigo percebido. A intensidade deste impulso é uma característica genética de cada cão e não pode ser treinada.



Drive de luta:

Pode-se definir este impulso como a interação da caça (rapidez) com a defesa (intensidade), gerando no cão um desejo de iniciar uma confrontação com o oponente, buscando demonstrar superioridade.








DRIVES NEURAIS MOTORES


A palavra “Drive” poderia ser traduzida nesse contexto por: “Direcionador”. Um Drive é uma direção de comando elétrico, uma ordem de comandos elétricos, digamos assim, para executar determinadas funções de maneira automática.


Portanto, os Drives Neurais Motores são “Direcionadores de Movimento”. Uma série de conexões entre unidades motoras (O axônio do neurônio motor e as fibras musculares por ele inervadas – imagem ao lado) que compartilham uma mesma função no movimento. Seria um “Engrama Motor”, digamos assim.



Um engrama é uma rota, um mapa, um circuito, uma série de ligações entre neurônios (sinapses) responsável por determinadas funções. A cada vez que necessitamos executar essas determinadas funções, aquela rota, aquele mapa, aquele engrama é acionado, tornando-se cada vez mais automatizado, permitindo uma execução mais rápida e eficiente, poupando espaço de armazenamento de dados no cérebro.


Dizendo em outras palavras, o neurônio que é acionado em primeiro lugar na cadeia rapidamente aciona o segundo através da liberação de neurotransmissores, dessa forma os dois ficam presos em um “braço fisiológico”, e assim vamos construindo a memória e o aprendizado. 






Podemos sintetizar o escrito acima com o resumo da Lei de Hebb:



“Neurônios que estão conectados disparam (são ativados) juntos”



Em seu livro: The Organization of Behavior (1949), Hebb lança as bases teóricas da neuroplasticidade, a capacidade que o cérebro tem de se reorganizar, de modificar esses engramas a medida em que as condições das tarefas mudam, é uma maneira de adaptação a novas circunstâncias enfrentadas por todos nós. 

Nas palavras do próprio Hebb:
“Não, está tudo errado, não existe a ditadura do neurônio único, o que existe é a democracia do circuito neural, onde cada neurônio tem uma importância muito pequena, em que é só o conjunto dos milhões de neurônios, distribuídos por todo o cérebro, que verdadeiramente define qualquer que seja a função neural que você queira estudar ou definir”.

Circuito neuronal. Mc Govern Institute, MIT Department of Brain & Cognitive Sciences.






Portanto, se as pessoas se acostumaram a repetir os mesmos padrões de movimento, isso significa que estão alimentando os mesmos circuitos cerebrais – os mesmos engramas motores – com disparos elétricos sempre na mesma direção, com as mesmas respostas químicas. Um ciclo que se perpetua podendo gerar dor e disfunção.


O resultado é que as pessoas passam a funcionar como computadores velhos, que só rodam os mesmos softwares.


 



Dentro desse contexto, podemos decodificar as informações que chegam ao cérebro (em relação à atividade motora) em uma representação de 0 e 1. Como em uma linguagem binária, em que cada caractere equivale a um bit (abreviação de binary digit, ou dígito binário em inglês)

No nosso esquema de linguagem binária para as atividades motoras:

0 = Natural
1 = Não Natural 



Zero: Um engrama motor básico, que o cérebro percebe como “Natural” (existem outras denominações, como: básico, primitivo, etc.). Essa informação é percebida como natural pelo cérebro, baseado na nossa sequência normal de desenvolvimento motor (marcos motores)

E também em movimentos instintivos como puxar, empurrar, carregar, etc.

Os marcos motores, ou sequência desenvolvimental, é um conceito desenvolvido pela Escola de Praga. A partir de muitas influências dessa escola (Karel Lewit, Vladimir Janda, Vaclav Vojta) o fisioterapeuta checo Pavel Kolar desenvolveu o DNS - Dynamic Neuromuscular Stabilization, um conceito que pode ser utilizado no treinamento e tratamento para restaurar as funções de estabilização de locomoção. Esse conceito se utiliza das posições que vamos desenvolvendo ao longo de nossos primeiros 18 meses de vida aproximadamente (a figura abaixo mostra algumas das posições).

(Aos que quiserem ler um pouco mais sobre o assunto, podem conferir este outro artigo publicado aqui: Sequência Neurodesenvolvimental).




Resumindo:

O Sistema Nervoso Central percebe os movimentos baseados nos marcos de desenvolvimento motor como funcionais.
Sendo assim, têm prioridade no momento de resgatarmos movimentos, seja em um contexto de reabilitação ou de treinamento. Pois ao serem percebidos como naturais, eles tem muito maior probabilidade de serem integrados ao nosso sistema ao serem realizados após uma correção ser feita.



Um: Um engrama motor “Não natural”, não fazendo parte da sequência de desenvolvimento motor (marcos motores). Seria nesse caso um movimento aprendido. 



Resumindo:

O Sistema Nervoso Central não percebe esses movimentos como funcionais.
Portanto viria depois do zero no contexto de reabilitação ou treinamento.


Portanto:

Em primeiro momento, deveríamos fornecer aos indivíduos sob nossos cuidados movimentos que o cérebro perceba como naturais (aqueles movimentos que fizeram parte do nosso desenvolvimento motor).

Para em segundo momento fornecermos aos indivíduos atividades mais complexas, os movimentos não naturais.



Breve a segunda parte do artigo, falando sobre alguns diferentes tipos de drives neurais motores e exemplos que podem ter utilidade prática....

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Implementando Treino de Alta Intensidade para o Sistema Aeróbio - Parte 2

Nessa segunda parte o Dan Baker fala de que forma pode ser feita a progressão e a periodização do treino aeróbio de alta intensidade e como integrá-lo com o treino específico dos esportes de campo. 

Antes faço um complemento da parte 1, colocando alguns dados que me foram passados no curso ministrado pelo Dan Baker no Rio de Janeiro, realizado pela Elite Training de SP e pelo meu amigo Luiz Felipe Sinforoso da Planet Health do RJ.


Esses dados dizem respeito à valores normativos da Velocidade Aeróbica Máxima (VAM) para diferentes populações atléticas, compilados pelo Dr. Dan Baker, que podem servir de referência para os que trabalham com tais populações e também aos colegas que trabalham com indivíduos comuns.

Vamos a eles:











Então para aqueles que trabalham com atletas dessas modalidades já sabem quais os parâmetros em termos de Velocidade Aeróbica Máxima devem alcançar para ter sucesso esportivo. Já os que (como eu) trabalham com indivíduos comuns já tem um parâmetro em termos de qual valor é considerado ideal para um sujeito bem condicionado.


Link original: Implementing High-Intensity Aerobic Energy System Conditioning for Field Sports






Implementando o Treinamento de Alta Intensidade para o Sistema Aeróbio em Esportes de Campo - Parte 2

Dan Baker



Periodização e Progressão do Treino ao Longo do Período Preparatório  

Os métodos de treinamento apresentados têm uma progressão de intensidade embutida, já que os atletas vão de:
< 100% VAM: Intervalos Longos.
100% VAM: Método das Grades.
120% VAM: Método Eurofit.
130% VAM: Método Tabata.

A outra variável para progressão é a escolha entre um repouso ativo:
< 40% VAM: Intervalos Longos.
60-70% VAM: Método das Grades.
Versus o descanso passivo, inerente aos métodos Eurofit e Tabata. 


Além disso, a proporção entre trabalho:repouso no método Tabata de 2:1, pode se provar ainda mais difícil se comparada à proporção 1:1 do método Eurofit. O segundo método de Tabata apresentado, com comprimentos variados de intervalo, pode se provar ainda mais difícil, mas devido à outras razões do que apenas às fisiológicas. Introduzir as viradas (mudanças de direção) no Tabata ou qualquer outro método irá aumentar a dificuldade, já que aumenta a contribuição anaeróbica (10).

O treinamento pode progredir através do uso sistemático de todos esses diferentes métodos, começando com:
- Intervalos Longos de 3 minutos - reduzir o comprimento do intervalo para 60 segundos.
- Então introduzir o Método Eurofit 100%:70% da VAM.
- Finalizando com os métodos de Tabata (N.T: Os 2 métodos baseados no Tabata apresentados na parte 1) dentro do ciclo de treinamento.

Cada método pode ser implementado por 1-3 semanas antes de progredir para o próximo, ou um ciclo semanal envolvendo diferentes métodos (N.T: Ver tabela 1 da parte 1 do artigo e tabela 1 desta segunda parte)

Dentro de cada microciclo de 2-3 semanas, irá ocorrer a típica progressão de volume (Séries de 5 minutos evoluindo para 8 ou até mesmo 10 minutos e/ou 2 séries de 5 minutos evoluindo para 3 ou 4 séries). Consequentemente, quando for feita uma progressão para um novo método, existirá uma marcada diminuição de volume, mas um aumento na intensidade - com esta semana (N.T: A da mudança de método) servindo como semana de "alívio da carga de volume" (Ver semanas 4 e 7 na tabela 1). Portanto, como inicialmente a intensidade aumenta com a introdução de um novo método, o volume é o mais baixo, mas vai aumentando com o passar do tempo antes de implementar a próxima progressão de intensidade (N.T: Nesse caso, um método mais intenso ou se já se estiver usando os métodos mais intensos como o Tabata, um pequeno incremento no percentual da VAM), frisando novamente, com um volume mais baixo.  

Uma vez que o atleta adquire alguma experiência de treinamento com estes métodos, é possvel implementar uma periodização ondulatória semanal (N.T: Dentro da mesma semana os parâmetros da carga de treinamento oscilam, de maneira não-linear), com um dia de treino aeróbico, enfatizando o aumento do tempo passado a aproximadamente 100% VAM (e possivelmente também o tempo passado a 100% VAM a cada repetição) utilizando o Método das Grades e o outro dia de treino enfatizando o tempo passado bem acima dos 100% VAM (através dos Métodos Eurofit ou Tabata) (Ver tabela 1: Dia 1 versus Dia 3). 

Esta metodologia é baseada em torno dos Métodos Supramáximos, DESENVOLVENDO uma nova potência aeróbica e melhorando a capacidade de repetir esforços de alta intensidade, e o Método Máximo, que condiciona o corpo para SUSTENTAR o atual 100% da Velocidade Aeróbica Máxima (VAM) para períodos mais longos.

Esta alternância de métodos dentro da mesma semana, permite ao atleta alternar entre uma recuperação ativa mais branda.
EX: 15 segundos a 70% VAM ou 90 segundos a 40% VAM.

E uma recuperação passiva.
EX: 15 segundos de descanso. 


Um exemplo das progressões apropriadas para uma fase de Preparação Geral é mostrada na Tabela 1. Se a fase de Preparação geral é de somente 4 semanas, então essas progressões podem ser modificadas, de tal modo que os métodos de Intervalos Longos, Grades, EuroFit e Tabata sejam as sessões de exercícios predominantes (mas não as únicas) para cada semana.



Integrando o treino aeróbico de alta intensidade com o treino esportivo e os Jogos em Campo Reduzido (JCR).

A limitação dos métodos acima, é que existe alguma "previsibilidade" em relação a eles. Esportes de campo frequentemente requerem esforços em momentos imprevisíveis e, portanto, alguns pesquisadores e treinadores têm advogado o uso de jogos em campo reduzido como uma melhor alternativa ao treino de condicionamento tradicional, devido à "imprevisibilidade" dos jogos e pelo fato dos jogos também desenvolverem habilidade técnica esportiva e percepção do jogo.

No entanto, a sobrecarga dos jogos por si também é algo imprevisível e depende de uma série de fatores: estrutura e regras dos jogos, etc. Tenho dados que mostram que atletas com maiores pontuações de Velocidade Aeróbica Máxima (VAM) cobriram maiores distâncias em Jogos em Campo Reduzido (JCR) e têm maiores vitórias nos jogos.

Então, como JCR melhoram aqueles atletas com menores pontuações de VAM?

Minha recomendação é que quase todos os atletas abaixo do nível profissional ou de elite se beneficiariam mais usando os tradicionais métodos de condicionamento descritos acima (N.T: Na tabela e em detalhes na parte 1 do artigo), para desenvolver uma maior VAM e níveis de condicionamento na Fase de Preparação Geral, ao invés de JCR para desenvolver o condicionamento físico. 

Então qual o papel desempenhado pelos JCR?

Para os atletas de elite, que contam com a tecnologia dos GPS para monitorar as cargas de treinamento das corridas em tempo real, vários preparadores assistentes observando, altos níveis de motivação, etc. os JCR são ótimos. Mas e atletas abaixo desse nível?

Minha experiência mostra que o trabalho de condicionamento orientado por JCR torna-se mais efetivo após a fase de preparação geral, uma vez que os níveis de condicionamento estejam estabelecidos. Uma vez que o atleta de campo tenha alcançado uma VAM adequada e se encontre na Fase Específica de Preparação ou no Período Competitivo da temporada esportiva, então o treinamento da capacidade técnica e tática têm preferência. É durante a Fase Específica de Preparação que a alternância de séries de 4-8 minutos dos métodos de condicionamento descritos anteriormente, com 3-8 minutos de Jogos em Campo Reduzido (JCR) torna-se uma ferramenta efetiva de manutenção do condicionamento e desenvolvimento da habilidade esportiva em atletas de esportes de campo.

Como mencionado anteriormente, as habilidades esportivas são treinadas em situações de relativo baixo estresse (baixa frequência cardíaca, mínima fadiga), relativamente baixas velocidades ou baixa oposição de forças, o que é ótimo para o desenvolvimento inicial e situações de aprendizagem de situações táticas - a polaridade da prontidão de treinamento, adequado para o treinamento da preparação geral.
Mas este tipo de treino aumenta a performance técnica ou tática de atletas avançados ou imita as situações de jogo?

Creio que essa situação é semelhante a um lutador que apenas bate no saco de areia ou nas manoplas do treinador (N.T: Ou luvas de foco) e espera lutar bem na competição. Todos parecem muito bons batendo no saco de areia, mas as situações competitivas reais, levando socos na cara, alteram tudo, portanto o treino com sparrings deve ser realizado! E deve ser realizado muitas vezes em estado de fadiga.

Então minha recomendação é utilizar os métodos de condicionamento mencionados anteriormente, JCR orientados para o condicionamento físico ou JCR simulando o cenário das partidas e treino de habilidade técnica, de baixa intensidade, todos juntos, na Fase de Preparação Específica ou na Temporada Competitiva. A experiência desse autor é que a fadiga resultante do desempenho dos exercícios de condicionamento, descritos anteriormente, permite ao técnico principal/comissão técnica ver o colapso/quebra devido à fadiga em:
  1. Na técnica individual;
  2. Tomada de decisões ou;
  3. Incapacidade de igualar a velocidade de jogo, resultando no desmantelamento da estrutura/padrões/formação ofensiva ou defensiva da equipe, durante os subsequentes Jogos em Campo Reduzido.
Tipicamente estes 3 tipos de "quebra" ocorrem nas partes mais fatigantes dos jogos, mas não ficam muito claras durante as sessões "normais" de treinos técnico/táticos de baixa intensidade, que são realizadas em situações menos fatigantes ou estressantes. Portanto, o treinador/comissão técnica podem desenvolver e implementar JCR intensos que desafiem ou ilustrem que tipos de quebras ocorrem (e com quais atletas) para diferentes partes críticas de situações de jogo.

Então o preparador físico pré-fadiga os atletas, para que o técnico possa implementar exercícios de simulação de partidas ou JCR para ver se qualquer um desses 3 colapsos/quebras ocorrem e com quem.

Tem sido a experiência do autor, que a seguinte combinação de uma sessão supra-máxima a 120% da VAM (Ex: Tabata ou Eurofit), seguida por um JCR de 6 minutos e uma recuperação de 3 minutos semi-passiva (Ex: Troca de passes sem deslocamento, etc.) sem nenhuma pausa é bastante desafiador ao condicionamento e níveis de habilidade individual dos atletas. Quando isso é seguido por outra série de condicionamento de 5 a 8 minutos e outro JCR, não somente os níveis de condicionamento aeróbico, anaeróbico e habilidade são desafiados, mas também mostra a capacidade de tomada de decisão dos atletas e a estrutura da equipe durante o segundo JCR. 

Um exemplo de integração de séries de condicionamento, JCR, treino técnico e tático na Fase de Preparação Específica é mostrado na tabela 2. Nessa sessão de treinamento, o objetivo seria 30% da distância total coberta pelos atletas (excluindo o aquecimento) ser coberta em uma velocidade acima de 4m/s.



Preparação Geral X Preparação Específica e Condicionamento de Alta Intensidade. 

Ao analisar a tabela 1, pode se ver claramente que no início da Fase de Preparação existe mais tempo devotado ao treinamento básico dos sistemas energéticos. Em comparação, a tabela 2, que demonstra uma sessão de treinamento da Fase Específica de Preparação, tem somente duas séries (1x5 minutos e 1x7 minutos) especificamente direcionadas aos exercícios de condicionamento (mostrados no artigo) dentro de um total de 90 minutos de treino.

Então o resumo basicamente é, na Fase Geral despenda mais tempo aumentando a VAM e alie os sistemas de produção energética com os exercícios mencionados no artigo, enquanto o treinamento técnico/tático é feito com uma intensidade baixa para assegurar um bom aprendizado. Quando o condicionamento melhora, ao longo das semanas, a quantidade de tempo despendida com exercícios de condicionamento diminui, mas a intensidade dos exercícios de condicionamento e do treino técnico/tático aumenta. Na época da Fase Específica de Preparação, é necessária somente uma pequena quantidade de tempo a ser gasta desempenhando exercícios específicos de alta intensidade e eles devem estar integrados com Jogos em Campo Reduzido (JCR) e treinos técnico/táticos.

Portanto, na Fase Específica ou na Fase Competitiva os exercícios de condicionamento aeróbico de alta intensidade podem ser vistos como parte integrante de um programa coerente de melhora da performance esportiva, nessa fase, eles devem auxilar no desenvolvimento ou demonstrar situações de simulação da técnica esportiva sob condições desafiadoras e/ou de fadiga.  


Conclusões  
Atletas de campo experientes têm poucos ganhos em termos de aumento de sua potência aeróbica com a utilização de métodos de corridas contínuas com baixa/moderada intensidade (N.T: O que os países de língua inglesa chamam de "Long Slow Distance", como comentado na parte 1 do artigo), como correr a < 80% da VAM, etc. Treinar a 100% VAM ou acima, tem se mostrado mais efetivo. Os métodos apresentados podem ser implementados de maneira progressiva ao longo do Período de Preparação Geral.

Os métodos dos Intervalos Longos ou das Grades Concêntricas (Métodos Máximos) descritos anteriormente (N.T: Métodos Máximos, ou seja, usam 100% da Velocidade Aeróbica Máxima), são tidos como os melhores para condicionar os atleta a serem capazes de sustentar uma potência aeróbica de alta intensidade por maiores períodos, algo que pode ocorrer em muitos esportes de campo. Os 2 Métodos Supra-Máximos apresentados (N.T: Ou seja, usam mais do que 100% da VAM. O Método Eurofit e as duas variações do Método Tabata) são tidos como os melhores para desenvolver novos níveis de potência aeróbica de alta intensidade ou proporcionarem a capacidade de repetir estes esforços de alta intensidade.

Uma vez que o atleta esteja na Fase Específica de Preparação ou na Fase Competitiva, a duração total do treino dedicada ao condicionamento de alta intensidade pode ser bastante curta (Ex: 1-3 séries de 4-10 minutos de duração) e combinada e integrada com jogos de campo reduzido (JCR) ou com o treino técnico/tático. Esta integração do treinamento é altamente recomendada para atletas de campo desenvolverem a habilidade e sentido tático sob condições de fadiga e situações estressantes, semelhantes ao ambiente competitivo real.



Referências
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