segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Subsistema Oblíquo Anterior

Continuando com a série dos subsistemas, desta vez apresentando o Subsistema Oblíquo Anterior.

Aos que não leram o artigo anterior, aí vai o link: Subsistema Longitudinal Profundo.

Link do artigo original: Anterior Oblique Subsystem






Subsistema Oblíquo Anterior

Brent Brookbush


O Subsistema Oblíquo Anterior é composto por:

  • Oblíquo Externo
  • Fáscia Abdominal/Linha Alba
  • Adutores Anteriores Contralaterais
  • Oblíquo Interno
  • Reto Abdominal
  • Nota: O oblíquo interno e o reto abdominal não são tradicionalmente vistos como parte do Subsistema Oblíquo Anterior. No entanto, baseado nas minhas considerações de anatomia, função, pesquisas disponíveis e observações na prática, adicionar estes músculos ao subsistema adiciona congruência ao nosso entendimento de sinergias musculares, comportamento motor e modelos preditivos de problemas de movimento. 

(N.T: A imagem abaixo mostra uma boa representação desse subsistema. Oblíquo interno e adutores do mesmo lado e oblíquo externo do lado contralateral)


Função (resumida):

Estabilização da cadeia cinética anterior (incluindo as articulações da sínfise púbica, quadril e coluna lombar),  transferência de força entre as extremidades inferior e superior, movimentos globais de empurrar, rotação interna da cadeia cinética, desaceleração (contração excêntrica) da supinação global do corpo.


Artrocinemática Funcional:

O Subsistema Oblíquo Anterior é um importante estabilizador da cadeia cinética anterior. Este subsistema tem pouco efeito direto na artrocinemática articular (quando comparado ao Subsistema Oblíquo Posterior e a articulação sacroilíaca); no entanto, está indiretamente envolvido na estabilização da coluna lombar, torácica, gradil costal, sínfise púbica e quadril. 

Esse subsistema é responsável pela desaceleração excêntrica da rotação e extensão da coluna lombar e torácica - um padrão de movimento que pode levar à compressão das articulações facetárias e da parte posterior do disco intervertebral, o que tem sido um indicativo de lesão na coluna lombar.

O subsistema oblíquo anterior também tem envolvimento na desaceleração excêntrica da inclinação pélvica anterior, especialmente em movimentos de empurrar na posição em pé. Como uma inclinação pélvica anterior inclui a extensão lombar, movimentos da articulação sacroilíaca e se não for realizado em base simétrica pode incluir rotação: Da sacroilíaca, da lombar ou mudanças na rotação pélvica, o que pode indicar o envolvimento desse subsistema.  

O subsistema oblíquo anterior estabiliza diretamente a sínfise púbica, embora a relação mais notável entre o subsistema e esta articulação seja a continuidade fascial entre o reto abdominal (um músculo não tradicionalmente colocado como parte do subsistema oblíquo anterior) e o adutor longo. Embora relativamente raro, discinesia (N.T: Discinesia pode ser entendido por anormalidade nos movimentos articulares) da sínfise púbica ocorre e pode ser dolorosa. A função otimizada do subsistema oblíquo anterior bilateral, assegura o controle da rotação, deslizamento superior/inferior e outros movimentos acessórios na sínfise púbica, associados com uma torção pélvica normal durante a marcha.

Disfunção assimétrica no subsistema oblíquo anterior, pode levar à discinesia na coluna lombar e torácica, articulação sacroilíaca e sínfise púbica, através da rotação da coluna e/ou da pelve. Esta disfunção pode se apresentar como rotação, flexão lateral, uma inclinação do quadril (N.T: Hip hike em inglês), inclinação anterior ou posterior de um ou ambos os lados da pelve e discinesia da sínfise púbica. Note que disfunções posturais assimétricas como essa têm sido correlacionada com lesões. No mínimo, estas disfunções irão aumentar a pressão no sistema de movimento humano, levando à sobrecarga de padrões e um ciclo cumulativo de lesões.
Torção pélvica


Função Integrada:

Estes músculos desempenham um papel importante na transferência de forças entre as extremidades superior e inferior e na estabilização da cadeia cinética anterior. O subsistema oblíquo anterior é estressado na maior parte dos movimentos de empurrar e nas rotações da cadeia cinética. Este subsistema também funciona como um desacelerador da "supinação global do corpo"
 (Da extensão com rotação da coluna, extensão, abdução e rotação externa do quadril).
(N.T: Se refere à rotações de toda a cadeia cinética, como aquelas ocorridas nos esportes. O exemplo seria um jogador de futebol que está de costas para o gol, gira o corpo e inicia uma arrancada em direção ao gol adversário. Em primeiro momento o subsistema age como um freio - contração excêntrica - do início até a metade do giro. Em segundo momento realiza uma ação concêntrica para completar o giro para que o atleta dispare em direção à meta adversária). 
A importância da desaceleração da supinação global do corpo pode ser vista durante a "fase de carga" de um arremesso (N:T: Ou fase de contração excêntrica dessa cadeia anterior. Como na preparação de um arremesso; imagem abaixo).
Quando ela realiza o arremesso o subsistema oblíquo anterior realiza uma ação concêntrica

Junto com a função otimizada do Subsistema Intrínseco de Estabilização e Subsistema Oblíquo Posterior, o Subsistema Oblíquo Anterior assegura uma estabilização, alinhamento e movimento ideal do Complexo Lombopélvico/Quadril e uma artrocinemática ótima das articulações do quadril e lombosacra. Embora um tanto simplista, pode ser de valia considerar isso como um subsistema antirotacional/antiextensão - nossa defesa número um contra lesões da coluna lombar. 



Comportamento Motor:

O Subsistema Oblíquo Anterior pode ser apelidado de "O Médico e o Monstro" dos subsistemas. 


  • Em Disfunções do Membro Superior (N.T: Upper Body Dysfunction) o subsistema se encontra hiperativo;
  • Em Disfunções do Complexo Lombopélvico/Quadril (N.T: Lumbo Pelvic Hip Complex Dysfunction) o subsistema se encontra frequentemente sub-ativo;
  • Em Disfunções da Parte Inferior da Perna (N.T: Lower Leg Dysfunction) o subsistema ou não está envolvido ou está hiperativo no caso de uma inclinação anterior excessiva, ou ainda, está sub-ativo no caso da disfunção da parte inferior da perna se apresentar com uma inclinação anterior da pelve;
  • O comportamento e comprimento relativo do subsistema durante Disfunção da Articulação Sacroilíaca (N.T: Sacroiliac Joint Dysfunction) é um pouco mais envolvente do que este artigo irá considerar, mas maiores informações podem ser encontradas neste artigo "Sacroiliac Joint Motion and Predictive Model of Dysfunction" (N.T: Movimento da Articulação Sacroilíaca e um Modelo Preditivo de Disfunções).

Em disfunções do membro superior, o subsistema oblíquo anterior é hiperativo/dominante e faz um par com um subsistema oblíquo posterior sub-ativo/inibido. Isto pode parecer mais óbvio naqueles indivíduos que exibem uma cifose torácica/lombar excessiva. 
No entanto, os fatores que contribuem para a dominância do subsistema oblíquo anterior em disfunções do membro superior podem ser bem mais complexos. Frequentemente durante um agachamento com os braços acima da cabeça (N.T: Overhead squat), o indivíduo irá apresentar sinais de disfunções do membro superior (braços caem à frente, escápula eleva), mas se o agachamento é feito com as mãos na cintura, a dominância do subsistema oblíquo anterior não irá se apresentar (flexão da coluna lombar/torácica e/ou excessiva inclinação à frente). O aumento na atividade do latíssimo do dorso nas disfunções do membro superior pode levar à uma alteração no padrão motor usado para estabilizar o complexo lombopélvico/quadril. Isto é, a dominância sinergística do latíssimo do dorso leva à uma inibição do Subsistema Intrínseco de Estabilização: Seja devido à mudanças na artrocinemática ou a adoção de um padrão compensatório que resulta em um padrão de disparo latente do subsistema intrínseco de estabilização e eventual descondicionamento. 
(N.T: Ou seja, uma atraso na ativação deste subsistema intrínseco de estabilização, crucial para uma estabilização eficiente dos segmentos da coluna vertebral. Esse subsistema tem de disparar antes dos demais para garantir esta estabilização segmentar vertebral).

Em tempo, a falta de estabilização intrínseca gera uma diminuição no limiar de atividade para o recrutamento da musculatura global do tronco, incluindo o subsistema oblíquo anterior (músculos globais tornam-se hiperativos), para estabilizar o complexo lombopélvico/quadril, levando a uma hiperatividade.


(N.T: Ou seja, existe uma hiperatividade de músculos globais, já que o limiar de ativação destes músculos diminui, significando que atividades que anteriormente não atingiam o limiar mínimo de disparo destes músculos, como a demanda de estabilizar a coluna, agora passam a fazer com que eles contraiam. Por outro lado, os músculos do subsistema intrínseco de estabilização: Como o transverso abdominal, multífidos e assoalho pélvico, passam a apresentar um atraso de ativação, não fazendo seu trabalho de maneira eficiente, já que os músculos globais passam a fazê-lo, o resultado disso tudo são disfunções e dores).

Neste caso, provavelmente é melhor evitar exercícios que agravem ainda mais a atividade do subsistema oblíquo anterior, exemplos incluem: pranchas, abdominais tradicionais, chops (N.T: Exercícios de padrões diagonais, feitos de cima para baixo, o que lembra a ação de cortar, provavelmente daí venha o nome "chop", que numa tradução literal pode significar "cortar") e padrões de empurrar em pé. Ao invés disso, o foco deveria ser na ativação do subsistema intrínseco de estabilização e estabilidade estática, incluindo a manobra "drawing-in" (N.T: A manobra de encolher a barriga).

Chop 1/2 ajoelhado no cabo

Na disfunção mais comum do complexo lombopélvico/quadril (A inclinação anterior da pelve) , o subsistema oblíquo anterior se encontra sub-ativo e faz um par com um subsistema posterior oblíquo também sub-ativo. Neste caso, o subsistema oblíquo anterior é incapaz de realizar a inclinação posterior da pelve ou manter uma flexão lombar suficiente para obter uma coluna neutra, um cenário que é concorrente com o grande e sinergisticamente dominante latíssimo do dorso, junto com o ilíaco, puxando o indivíduo para a extensão lombar. Dicas verbais, visuais e táteis para a posteriorização da pelve, reforçando o alinhamento pélvico ideal e a integração do subsistema oblíquo anterior (exercícios de pernas com exercícios de "empurrar" dos membros superiores) são efetivos para melhorar esta disfunção (N.T: Uma maneira mais rápida de lidar com estas e outras disfunções é o uso do Método NKT, uma ferramenta extremamente útil em avaliar e lidar com disfunções musculoesqueléticas. Alguns artigos sobre o método podem ser encontrados aqui neste espaço ou no Blog da Fortius).

Nota
: O uso de um exercício de integração do subsistema oblíquo anterior em alguém que tem uma inclinação pélvica anterior frequentemente melhora o alinhamento do complexo lombopélvico/quadril, mas em alguns casos resulta em uma inclinação anterior excessiva. Neste caso, é apropriado seguir um 
exercício de integração do subsistema oblíquo anterior com um de integração do subsistema oblíquo posterior.

subsistema oblíquo anterior geralmente não está envolvido com disfunções na parte inferior da perna: No entanto, alguns indivíduos se apresentam com disfunção na parte inferior da perna e uma inclinação anterior do tronco ou inclinação pélvica anterior. No caso da inclinação anterior do tronco, evite exercícios que possam aumentar a atividade desta musculatura e ao invés disso, ponha o foco na ativação do subsistema intrínseco de estabilização e integração do subsistema oblíquo posterior. No caso de uma inclinação pélvica anterior, considere as sugestões dadas acima, onde foi tratada as disfunções do complexo lombopélvico/quadril. 



Adições ao Subsistema Oblíquo Anterior:

Relação entre os tendões do reto abdominal e adutor longo 


Reto Abdominal:

Pode o reto abdominal ser parte do Subsistema Oblíquo Anterior?
O reto abdominal é envelopado pela bainha do reto e a fáscia do transverso abdominal e é divido pela linha alba. Estas estruturas auxiliam na transmissão de força e podem influenciar o tônus dos músculos envolvidos por elas. Isso incluiria o reto e os oblíquos abdominais. Além disso, os tendões do reto abdominal e a linha alba são revestidos com uma fáscia superficial que continua até os tendões dos adutores anteriores. Na essência, a fáscia abdominal tem uma continuidade a partir do abdome, através da sínfise púbica até os tendões dos adutores anteriores e a fáscia superficial da parte anterior da coxa. A idéia da continuidade fascial e de recrutamento sinérgico muscular para o movimento do tronco são de fato as ideias centrais que levaram ao conceito dos subsistemas do núcleo (N.T: Núcleo na tradução da palavra core. Que é como muitas vezes eles chamam os subsistemas: "Core Subsystems"). Embora o Subsistema Oblíquo Anterior seja tradicionalmente apresentado como: Oblíquo externo, fáscia abdominal e adutor longo contralateral (excluindo o reto abdominal) - a relação fascial mais notável na realidade é entre o tendão do reto abdominal e o tendão do adutor longo.

O reto abdominal é ativo durante todas funções do subsistema oblíquo anterior. Flexionar o tronco, rotação interna da cadeia cinética, pronação e supinação do corpo, assim como na transferência de forças entre as extremidades inferior e superior - todas estas ações requerem 
uma atividade otimizada do reto abdominal.

Além disso, a atividade muscular e comprimento relativo do reto abdominal quando analisado em relação à disfunções posturais e de movimento, combina perfeitamente com a atividade do subsistema oblíquo anterior. Eu tenho apelidado este subsistema de "O Médico e o Monstro", porque ao contrário de outros subsistemas ele pode estar hiper ou hipoativo dependendo do padrão de compensação apresentado:

 Em disfunções do complexo lombopélvico/quadril, está frequentemente sub-ativo assim como o reto abdominal.


 Em disfunções do membro superior, está hiperativo, assim como o reto abdominal.

 Em disfunções da parte inferior da perna, a posição relativa da pelve dita seu comportamento e o reto abdominal segue sua tendência.

→ Em disfunções da articulação sacroilíaca, está frequentemente hiperativo no lado da disfunção e sub-ativo no lado contralateral, embora não seja possível trabalhar somente um lado do reto abdominal, lesão e o padrão de dor sugerem que o reto segue novamente o comportamento do subsistema oblíquo anterior.

Muito frequentemente, a hiperatividade do subsistema oblíquo anterior vem em par com sub-atividade do subsistema oblíquo posterior.

Em minha humilde opinião, as idéias acima deveriam levar à inclusão do reto abdominal no subsistema oblíquo anterior. A seleção de exercícios deveria ser considerada em conjunto com este subsistema, para todas as modalidades: Liberação, alongamento, ativação e exercícios para o núcleo (N.T: Núcleo: Tradução da palavra "core"). E na integração do subsistema nas atividades físicas, reabilitação e treino de melhora da performance esportiva.


Oblíquo Interno:
A fáscia superficial abdominal e a linha alba são investidas pelos oblíquos interno e externo e o reto abdominal. Esta continuidade fascial, junto com a função compartilhada faz com que, muitas vezes, fique difícil apontar quando estes músculos não estão agindo sinergisticamente. O oblíquo interno assiste na rotação da coluna com uma co-contração (N.T: Contração conjunta) do oblíquo externo contralateral. Sem essa co-contração, o oblíquo externo iria produzir flexão lateral e/ou puxaria o reto abdominal e a linha alba lateralmente, resultando em movimento ineficiente. O oblíquo externo tem uma direção de fibras mais vantajosa em termos mecânicos e uma área de secção transversa maior, mas essa necessária sinergia entre os oblíquos interno/externo resulta em um par inseparável.

Os oblíquos internos também são sinergistas para todos movimentos e atividades associadas com o Subsistema Oblíquo Anterior, desde a estabilização do tronco e transmissão de força para flexão e rotação ipsilateral da coluna até a desaceleração da supinação (N.T: Se refere à supinação global do corpo). Embora o oblíquo interno seja o terceiro em habilidade de produzir força, atrás do oblíquo externo e do motor primário, o reto abdominal, este músculo está envolvido em todas atividades do subsistema oblíquo anterior.   

Finalmente, a pesquisa mostra que o oblíquo interno está ativo durante potencialmente a mais importante função do subsistem oblíquo anterior. O oblíquo interno é um estabilizador importante quando o corpo resiste a uma carga externa significativa, especialmente quando o vetor da carga é anterior para posterior (N.T: Ou seja, quando o corpo recebe a carga de frente). O uso da musculatura global do tronco para estabilizar a coluna é frequentemente chamada de "bracing" e inclui contrações isométricas de toda a musculatura do tronco, incluindo os oblíquos internos (N.T: Numa linguagem popular, o bracing seria aquela técnica de "firmar" a parede abdominal). Existe algum debate se este músculo é verdadeiramente um músculo global ou parte do Subsistema de Estabilização Intrínseco; no entanto, o trabalho de Richardson et al. aponta em direção à um padrão de recrutamento que liga este músculo com o reto abdominal e o oblíquo externo.
(N.T: No sentido de o oblíquo interno ser um músculo com uma característica parecida com a do reto abdominal e o oblíquo externo, ou seja, um músculo que desempenha movimentos globais. Ao invés de ser um músculo que tenha características como a do transverso abdominal, que garante a integridade da coluna).

Presumindo que este músculo seja parte do sistema muscular global, ele teria o mesmo comportamento do oblíquo externo durante disfunção postural, resultando na mesma seleção de exercícios. Se por acaso acontecer deste músculo ser parte do Subsistema Intrínseco de Estabilização, então o consideraríamos durante a ativação do Subsistema Intrínseco/Transverso Abdominal, no entanto, isto não mudaria nossa seleção de exercícios.




Subsistemas, Disfunção Postural e Seleção de Exercícios Integrados:

Os resumos abaixo são destinados à uma referência rápida, na prática, e não ilustram todos os possíveis cenários.
(N.T: Os quadros abaixo são os mesmo apresentados no artigo sobre o subsistema longitudinal profundo).



Atividades dos Subsistemas Baseado na Disfunção Postural:













     

Efeito no Exercício:







                                          

Resumo:











                           

Seleção de Exercícios:

Se a avaliação de movimento nos leva a crer que o Subsistema Oblíquo Anterior é sub-ativo (Inclinação Pélvica Anterior), considere as seguintes mudanças no seu programa de exercícios.

Núcleo:
(N.T: Tradução de "Core")
Pode ser benéfico adicionar pranchas, abdominais tradicionais (N.T: O que os americanos chamam de crunch, aquele abdominal feito com a lombar no solo, fazendo a flexão) e padrões de "chops" na porção de ativação do núcleo em um aquecimento integrado.

Integração do Subsistema/Seleção de Exercícios Globais: 
Os exercícios usados para integrar o subsistema podem ser resumidos em "pernas com empurrar" (N.T Um avanço com empurrar na horizontal por exemplo). Por causa da dificuldade inerente destes exercícios pode ser necessário usar uma progressão estática de chop e de empurrar na horizontal em pé (N.T: Empurrar na horizontal seriam as variações de supino) como pré-requisitos antes de progressões mais avançadas.
Avanço com empurrar na horizontal 


Treinamento Resistido:
Não existe diferença entre os exercícios selecionados para a Integração dos Subsistemas usados no aquecimento e os Movimentos Globais usados no Treinamento Resistido (N.T: Os americanos usam o termo "Resistance Training" que pode ser traduzido por Treinamento de Resistido ou Treinamento de Resistência, embora esse último gere confusão em português. Já que o termo se refere ao treinamento com sobrecarga, seja ela anilha, borracha, máquinas com cabos, etc.).
Se alguém se apresenta com um Subsistema Oblíquo Anterior sub-ativo, pode ser ideal continuar a usar "exercícios de perna com empurrar" durante Movimentos Globais. Se você escolher usar o mesmo exercício para ambos (Integração dos Subsistemas e Movimentos Globais), então o último exercício do aquecimento será o primeiro do programa de treinamento resistido; sem a necessidade de repetir séries. Se o cliente já solucionou a maioria das suas disfunções, você pode adicionar outros padrões de movimento globais que podem ou não estarem relacionados com sua disfunção de movimento.

Progredir movimentos de tronco para exercícios sem um suporte estável para as costas. Por exemplo, empurrar na horizontal em pé, e/ou puxadas em base ajoelhada. Pode ser uma boa jogada limitar movimentos de empurrar acima da cabeça (N.T: O que seria classificado como um padrão de empurrar na vertical, as variações de desenvolvimento de ombros) até seja obtida uma melhor estabilização do Complexo Lombopélvico/Quadril.

Poderíamos dizer que uma vez que seja completado um aquecimento integrado; o conhecimento da avaliação de movimento e dos subsistemas irão influenciar, e não ditar, a seleção dos exercícios resistidos.


Se a avaliação de movimento nos leva a crer que o Subsistema Oblíquo Anterior é hiperativo (Disfunção no Membro Superior, Excessiva Inclinação à Frente), considere as seguintes mudanças no seu programa de exercícios.


Núcleo:
Pode ser benéfico evitar pranchas, abdominais tradicionais, e progressões de chops
na porção de ativação do núcleo em um aquecimento integrado e passar mais tempo em ativações do transverso abdominal e pontes (N.T: Ponte é um exercício, já bem conhecido, de ativação de glúteos e cadeia posterior).

Integração do Subsistema/Seleção de Exercícios Globais: 
Evite a integração do subsistema oblíquo anterior e coloque o foco em integração do subsistema oblíquo posterior: Os exercícios usados para integrar este subsistema podem ser resumidos em "perna com puxada" (N.T: Um agachamento com remada usando cabo/borracha por exemplo).
Agachamento com remada


Treinamento Resistido:
Se alguém se apresenta com um subsistema oblíquo anterior hiperativo, pode ser ideal continuar a usar "perna com puxada (Integração do Subsistema Oblíquo Posterior)" durante Movimentos Globais.

Pode ser necessário limitar movimentos de ombro acima da cabeça até que seja obtida uma melhor estabilização do Complexo Lombopélvico/Quadril.


Bibliografia
:

  1. Dr. Mike Clark & Scott Lucette. "NASM Essentials of Corrective Exercise Training". 2011 Lippincott Williams & Wilkins.

  2. Donald. A. Neumann. "Kinesiology of the Musculoskeletal System: Foundations of Rehabilitation" - 2nd Edition. 2012.

  3. Carolyn Richardson, Paul Hodges, Julie Hides. Therapeutic Exercise for Lumbo Pelvic Stabilization - A Motor Control Approach for the Treatment and Prevention of Low Back Pain" - 2nd Edition. Elsevier Limited, 2004.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Subsistema Longitudinal Profundo

Começando uma série de artigos sobre os subsistemas, escrito pelo Brent Brookbush, o cara tem um site muito bom com vários artigos bem detalhados. O site é pago, mas se procurar tem alguns artigos disponíveis sem custo.
Aos que quiserem conferir: Brookbush Institute


Essa ideia de sinergias musculares formando uma unidade coesa não é nova, Paul Chek já mencionava isso há bastante tempo (Podem conferir este artigo traduzido há um bom tempo, que coloquei aqui neste espaço: A Unidade Externa), não sei se ele é o cara que propôs está ideia e nem quem é de fato o criador, mas o fato mais importante é que essa ideia nos permite uma fácil visualização da anatomia funcional e das interações musculares durante o desempenho de diferentes tarefas.

Os subsistemas são um dos temas do Curso do Método NKT - Nível 2, onde aprendemos de que maneira podemos avaliá-los e usar esses dados para melhorar o movimento e a performance, diminuir o risco de lesões ou para tratar dores (crônicas ou recentes), dependendo de quem é este profissional e de que maneira ele trabalha. Não por acaso o autor do artigo é um praticante do Método NKT.  

Lembrando que nenhum desses subsistemas opera sozinho, todos interagem o tempo todo durante as diferentes atividades que executamos.  

Aos que quiserem ler o artigo original: Deep Longitudinal Subsystem

Boa leitura aos amigos!




Subsistema Longitudinal Profundo

Brent Brookbush


O Subsistema Longitudinal Profundo é composto por:

  • Eretor da espinha (contralateral; em relação aos outros elementos)
  • Ligamento sacrotuberoso
  • Bíceps femoral
  • Cabeça da fíbula
  • Fibular longo
  • Tibial anterior


(N.T: Em muitas definições este subsistema é composto somente por: Bíceps femoral, ligamento sacrotuberoso e eretores da espinha contralaterais, como na imagem abaixo)
De cima para baixo: Eretores da espinha (do lado contralateral); Bíceps femoral; Ligamento sacrotuberoso; Articulação sacroilíaca


Função (resumida):

Estabilização do complexo lombosacral e arco longitudinal medial do pé, responsável pela desaceleração (ação excêntrica) da perna de balanço na marcha e controle da pronação/supinação do complexo pé/tornozelo, iniciando no contato do calcanhar com o solo e continuando através da fase de apoio do pé no ciclo da marcha. Esse subsistema é potencialmente o mecanismo primário de propulsão durante a caminhada de baixa intensidade, e durante atividades de alta intensidade é um mecanismo de comunicação proprioceptivo, mandando informações ao cérebro sobre as forças de reação do solo.


Artrocinemática Funcional:

Este subsistema desempenha um papel na estabilização do sacro e no alinhamento da articulação sacroilíaca através do ligamento sacrotuberoso, assim como, desempenha um papel no alinhamento artrocinemático do complexo pé-tornozelo (N.T: A artrocinemática, segundo Neumann 2010, é responsável por descrever o movimento entre as faces articulares de uma articulação. Então o alinhamento artrocinemático se refere ao posicionamento otimizado das estruturas envolvidas no movimento).

O bíceps femoral é praticamente contínuo ao ligamento sacrotuberoso, que por sua vez, se insere na camada mais profunda da fáscia toracolombar. O sistema continua através do eretor da espinha (N.T: Eretor da espinha do lado oposto). Esta continuidade desempenha um papel na estabilização da região lombosacra durante atividades da vida diária, na marcha e atividades esportivas. Quando se encontra hiperativo, este subsistema irá fazer com que haja uma dominância sinergística em relação ao glúteo máximo (N.T: Parte do Subsistema Oblíquo Posterior) durante a extensão do quadril, tendo como resultado a quebra da mecânica natural da região lombosacra.   
Quando o bíceps femoral contrai, esta força é transmitida através do ligamento sacrotuberoso, resultando em uma força de extensão no sacro. Se a contração do bíceps femoral resulta em uma inclinação posterior da pelve (por exemplo, durante a fase de balanço da marcha) o sacro irá seguir - em essência haverá um pouco de movimento na articulação sacroilíaca ipsilateral. No entanto, já que esse movimento acontece frequentemente ipsilateralmente
(N.T: Do mesmo lado), na marcha por exemplo, é importante notar que a extensão do sacro é frequentemente uma contranutação da articulação sacroilíaca contralateral relativa à uma pelve inclinada anteriormente. Comumente o bíceps femoral e o eretor da espinha se tornam sinergisticamente dominantes em relação a um complexo glúteo hipoativo (N.T: Aquela velha estória de que se um não faz seu trabalho, outro assume o fardo). Isso pode levar a problemas na articulação sacroilíaca, em que esta articulação se torna funcionalmente fixada em relativa contranutação no lado disfuncional. Isso também força a pelve contralateral em uma inclinação anterior relativa.  
(N.T: Os movimentos de nutação e contranutação podem ser vistos esquematicamente, em detalhes, no vídeo abaixo. Na nutação a base do sacro se move anteriormente; Na contranutação a base do sacro se move posteriormente, deixando-o em uma posição mais vertical)



Considerando o joelho:
- Embora o bíceps femoral possa ser visto como uma força que previne o deslizamento anterior da tíbia sobre o fêmur e previne lesões no ligamento cruzado anterior, ele só pode desempenhar bem seu papel se a atividade elétrica do músculo e seu comprimento são adequados, além de se ter uma artrocinemática normal da articulação tibiofibular proximal.

Infelizmente, esta musculatura é comumente hiperativa e a articulação tibiofibular proximal se encontra frequentemente "presa" posteriormente (relativa à articulação tibiofibular distal que está fixada anteriormente), como resultado de "Disfunção na Parte Inferior da Perna" (N.T: Se refere a uma classificação de disfunções que ele faz. Essa ele descreve neste artigo chamado: Lower Leg Dysfunction).
Quando hiperativo o músculo pode contribuir com disfunção no joelho ao criar um "momento" 
de adução e rotação interna no fêmur.(N.T: A palavra momento poderia ser substituída por "torque". O torque ou momento pode ser considerado como um equivalente de uma força linear. Enquanto a força empurra ou puxa um objeto de maneira linear o torque ou momento gira um objeto sobre seu eixo de rotação, Neumann 2010).  

Provavelmente é mais fácil visualizar esta ação em padrões de movimento de cadeia cinética fechada (relativo à uma tíbia fixa). No entanto, a rotação externa da tíbia é um movimento relativo à uma rotação interna do fêmur (N.T: Ou seja, o fêmur roda internamente sobre uma tíbia fixa. A tíbia não move, mas em relação ao fêmur que está em rotação interna, a tíbia está posicionada em rotação externa). A posição do bíceps femoral na parte lateral do joelho também contribui para criar um momento de adução; trazendo os aspectos laterais do fêmur e da tíbia mais próximos um do outro. Quando o pé e a tíbia estão fixos em uma posição de cadeia cinética fechada (N.T: Cadeia cinética fechada são movimentos com o pé no solo. Um agachamento por exemplo), um bíceps femoral hiperativo pode fazer com que o joelho colapse em valgo (N.T: Joelho para dentro) ao rodar internamento o fêmur e "aduzir" o joelho. Quando visualizar este movimento, pode ser útil imaginar a cabeça curta do bíceps femoral como uma "corda de um arco" ficando cada vez mais tensa e o fêmur e a tíbia como um arco dobrando fora de sua posição normal.



Considerando o tornozelo:
 - Este subsistema desempenha um papel significativo em manter o arco longitudinal do pé e/ou a pronação e supinação durante a marcha em resposta às forças de reação do solo - desempenhando seu maior papel durante a desaceleração excêntrica da pronação do momento do contato do calcanhar até o meio da fase de apoio. Disfunção no subsistema longitudinal profundo pode resultar em uma pronação precoce/excessiva, incapacidade de uma dorsiflexão adequada e uma força excessiva colocada nas articulações transversas tarsais e tarsometatarsais.


Isto acontece frequentemente em conjunto com um deslizamento anterior da articulação tibiofibular, inabilidade de um movimento posterior do tálus, deslizamento superior do primeiro cuneiforme sobre o navicular e excessiva flexão plantar do primeiro raio (N.T: Aos que quiserem saber mais sobre o primeiro raio da articulação metatarsofalangeana confiram a série de artigos sobre o hálux: Mobilidade do Hálux - Parte 1).
Primeiro raio da articulação metatarsofalangeana

Para mais informações confiram meu artigo: 
Lower Leg Dysfunction.


Função Integrada:

Funcionando de maneira ideal, o Subsistema Longitudinal Profundo desacelera (contração excêntrica) o balanço da perna e a pronação do pé, estabiliza a articulação sacroilíaca e o arco longitudinal do pé, e age como um mecanismo proprioceptivo para o pé/tornozelo e joelho, além de ajudar no posicionamento do complexo lombopélvico/quadril. Por exemplo, durante a marcha este subsistema desacelera excentricamente o balanço à frente da perna, seguido por uma inclinação da pelve e estabilização da articulação sacroilíaca, agindo como um mecanismo proprioceptivo para transmitir informações a respeito das forças de reação do solo ao contato do calcanhar, assegurando uma pronação adequada, mas não excessiva. Como produto da informação proprioceptiva relatada ao Sistema Nervoso Central, existe um recrutamento adequado dos motores primários durante o meio da fase de apoio e o incio da fase de balanço da marcha (N.T: Início da fase de balanço na marcha se dá quando o hálux sai do solo). Isto é especialmente verdadeiro durante atividades de alta intensidade e esta mesma função pode ser generalizada às atividades do membro inferior no treino de força: Como agachamentos, levantamentos terra, etc.  

Um fator contribuinte para disfunção, pode ser a falta de atividades de alta intensidade que vemos em nossa população. A despeito do glúteo máximo ser o motor primário durante a extensão do quadril, o corpo nem sempre recruta os motores primários para produzir movimento articular. Isso é referido frequentemente como "Lei da Parcimônia" em relação ao movimento humano. O corpo irá recrutar o menor número de unidades motoras a fim de tentar conservar energia. Com isto dito, existem alguns estudos que mostram o bíceps femoral como o motor primário da extensão do quadril durante a "marcha normal", com menor contribuição do glúteo máximo. Isto quer dizer, caminhar em uma cadência relaxada pode não ser de uma intensidade suficiente para requerer a ativação do glúteo máximo. 

Se um indivíduo nunca desempenha atividades de intensidade mais alta (caminhada rápida, exercício, esportes) existe uma chance de começar a perder a habilidade de recrutar um melhor programa motor para atividades de alta intensidade?
Reforçando a dominância sinergística do Subsistema Longitudinal Profundo em relação ao Subsistema Oblíquo Posterior (N.T: O glúteo máximo é parte do subsistema oblíquo posterior).   


Comportamento Motor:

O subsistema longitudinal profundo pode ser apelidado de "Subsistema sempre Hiperativo". Este subsistema torna-se reflexivamente hiperativo em resposta a problemas da articulação sacroilíaca, coluna lombar, articulação tibiofibular, tibiofemoral e complexo pé/tornozelo.
Aparece comumente pareado com hipoatividade (N.T: Atividade abaixo do normal) de 2 subsistemas:
- Subsistema de Estabilização Intrínseca.
- Subsistema Oblíquo Posterior. 
E também pareado com hiperatividade de outro subsistema:
- Subsistema Oblíquo Anterior.
Também aparece hiperativo em disfunções na parte inferior da perna e complexo lombopélvico/quadril.

Em Disfunções no Membro Superior:Falando em termos gerais, este subsistema não é relacionado com estas disfunções, no entanto quando disfunções no membro superior resultam em problemas na sacroilíaca, o subsistema longitudinal profundo pode tornar-se reflexivamente hiperativo.

Em Disfunções no Complexo Lombopélvico/Quadril:
O subsistema longitudinal profundo é sinergisticamente dominante em relação à um subsistema oblíquo posterior hipoativo.

Em Disfunções da Parte Inferior da Perna:O subsistema longitudinal profundo é hiperativo. Pode ser observado a pronação do pé, adução e rotação interna do fêmur e contra-nutação do sacro como resultado da ação concêntrica desse subsistema e a "caracterização" de um modelo previsível de disfunção da parte inferior da perna. 

Em Disfunções da Articulação Sacroilíaca:
Este subsistema torna-se incrivelmente hiperativo no lado disfuncional da sacroilíaca, e pode não retomar sua atividade normal até que a sacroilíaca seja mobilizada.

O subsistema longitudinal profundo é frequentemente o elo entre disfunção na parte inferior da perna, disfunção na articulação sacroilíaca e dor lombar.


Subsistemas, Disfunção Postural e Seleção de Exercícios Integrados:

Os resumos abaixo são destinados à uma referência rápida, na prática, e não ilustram todos os possíveis cenários. 


Atividades dos Subsistemas Baseado na Disfunção Postural:


Efeito no Exercício:


Resumo:



Seleção de Exercícios:

Se a avaliação de movimento nos leva a crer que o Subsistema Longitudinal Profundo é hiperativo, considere as seguintes mudanças no seu programa de exercícios.

Núcleo:
(N.T: Tradução de "Core")
- Sem fortalecimento dos isquiotibiais.

Flexibilidade:
     Liberação:
  • Eretores da coluna (se usar autoliberação, liberar somente na área da torácica).
  • Bíceps femoral.
  • Fibulares.
  • Piriforme (se existe suspeita de problema na sacroilíaca).
     
     Alongamento
(N.T: Os nomes dos alongamentos estão em inglês porque essa questão de nomenclatura de exercício é complicada, cada um chama como quer). 
  • "Child's Pose" (Eretores da coluna). (N.T: O que muitos aqui chamam de "Alá", aquela posição sentado nos calcanhares estendendo os braços À frente).
  • Pigeon Toed Calve Stretch (Fibulares). (N.T: Alongamento com os pés para dentro, por isso a referência à pombo: pigeon em inglês).
  • Active Biceps Femoris Stretch. (N.T: Alongamento ativo do bíceps femoral).
     
     Mobilização:
  • Coluna torácica.
  • Rotação do tronco deitado (automobilização da sacroilíaca).



Integração dos Subsistemas/Seleção de Exercícios Globais:

  • Integrar Subsistema Oblíquo Posterior. 


Treino Resistido:

  • Não fazer exercícios isolados para posterior da coxa (isquiotibiais).
  • Não fazer levantamento terra com os joelhos retos, ou quase retos (N.T: O que chamam no Brasil de stiff).
  • Não fazer windmill com kettlebell.